ALEMANHA: COVID-19

Conheça os constrangimentos, medidas de relançamento da economia e oportunidades de negócio na Alemanha decorrentes da COVID-19.

MEDIDAS GOVERNAMENTAIS DE RELANÇAMENTO ECONÓMICO E APOIO ÀS EMPRESAS

Pacote de auxílio total à economia que se situa acima de 1.135 mil milhões de euros, equivalente a 33% do valor do PIB, entre garantias, créditos e esforço orçamental.

Numa perspetiva mais ampla, plurianual, o Instituto Bruegel situa o total de auxílios em 47,8% do PIB alemão de 2019.

Valor do estímulo fiscal discricionário pós-covid
(em % do PIB de 2019)
  Estímulo de liquidez imediato Diferimentos Outra liquidez e garantias Total
Grécia 3.1% 1.2% 2.1% 6.4%
Hungria 0.4% 8.3% 0.0% 8.7%
Espanha 3.7% 0.8% 9.2% 13.7%
EUA 9.1% 2.6% 2.6% 14.3%
P.Baixos 3.7% 7.9% 3.4% 15.0%
Dinamarca 5.5% 7.2% 4.1% 18.8%
Portugal 2.5% 11.1% 5.5% 19.1%
Reino Unido 8.0% 2.3% 15.4% 25.7%
Bélgica 1.4% 4.8% 21.9% 28.1%
França 4.4% 8.7% 14.2% 27.3%
Alemanha 8.3% 7.3% 24.3% 39.9%
Itália 3.4% 13.2% 32.1% 48.7%

Fonte: Bruegel.org, na categoria “Outra liquidez e garantias” incluem-se apenas medidas governamentais (excluindo intervenções de bancos centrais), ainda que espelhe o total de empréstimos concedidos ao sector produtivo, que é um múltiplo do empate de capital público que o garante.


Em termos menos amplos e quanto a créditos estatais às empresas, a Bruegel avançou em 29/9/2020 com os dados seguintes:

Government-backed credit support to businesses, € billion (29/9/2020) Government-backed credit support to businesses, € billion (29/9/2020)

Government-backed credit support to businesses as percent of 2019 GDP (29/9/2020) Government-backed credit support to businesses as percent of 2019 GDP (29/9/2020)

Fonte: Bruegel.org, na categoria “Outra liquidez e garantias” incluem-se apenas medidas governamentais (excluindo intervenções de bancos centrais), ainda que espelhe o total de empréstimos concedidos ao sector produtivo, que é um múltiplo do empate de capital público que o garante

Programa de estímulos anunciado em início de Junho, destinado a reavivar a economia alemã no despertar desta “nova realidade”. O volume do pacote, com um total de 57 medidas individuais, cifra-se em €130 mil milhões, dos quais 120 serão assumidos pelo Estado Federal. Este programa vem a somar-se ao plano de emergência que acudiu logo em Março às necessidades de liquidez das famílias, viabilizou o acesso ao layoff extensivo nas empresas, e apoiou a solvabilidade das pequenas e médias empresas.

Redução do IVA: A 29/6, o parlamento alemão aprovou a 2ª lei de apoios fiscais (“Coronavirus Tax Assistance Act”), reduzindo temporariamente, entre julho e dezembro de 2020, da taxa de IVA de 19% para 16% e da taxa de IVA reduzida de 7% para 5%. Custará €20 mil milhões (1/6 do total do pacote) e dinamizará o consumo privado.

Para além disso, regista-se a duplicação dos prémios para veículos elétricos, medida que se insere num programa mais amplo designado por “pacote de futuro”, dotado de €50 mil milhões, que contempla:

  • Incentivos fiscais e financeiros à manutenção e reforço da investigação;
  • Plano alemão para o hidrogénio, com um orçamento de €9 mil milhões, €2 mil dos quais destinados à criação de parcerias com países fornecedores de hidrogénio;
  • Aumento da dotação do programa de apoio à reabilitação ambiental de edifícios (€2 mil milhões este ano e em 2021);
  • Investimento na digitalização da Administração Pública e das empresas (€4 mil milhões);
  • Aumento do investimento na Inteligência Artificial, dos €3 mil milhões previstos até agora para €5 mil milhões até 2025;
  • Fomento do desenvolvimento e da produção de tecnologias quânticas e realização pelo Estado de concurso para construção de pelo menos dois computadores quânticos (€2 mil milhões);
  • Aceleração “drástica” do desenvolvimento da rede 5G (€5 mil milhões) e apoio ao desenvolvimento de software para a gestão das redes 5G e, no futuro, 6G (€2 mil milhões);
  • Investimento na mobilidade sustentável através de: i) maior vinculação do imposto sobre veículos ao consumo de CO2 (a aplicar sobre veículos novos a partir de 2021); ii) criação de programa especial de €2 mil milhões de fomento a inovações no sector automóvel e sobretudo nos fornecedores; iii) investimento adicional de €2,5 mil milhões em postos de carregamento de veículos elétricos, na eletromobilidade e no fabrico de células para baterias; iv) outro aumento do capital próprio da Deutsche Bahn; v) investimento de €3 mil milhões na modernização das frotas de autocarros e camiões e na promoção de energias limpas nos setores da aviação e da navegação.

Fundo de Estabilização da Economia: envelope total de 600bn de euros maioritariamente voltado para as grandes empresas, compreendendo três linhas de apoio:

  • Eur 400  mil milhões de garantias de crédito
  • Eur mil milhões de medidas de capital, com possibilidade de assumir posições acionistas nas empresas
  • Eur 100 mil milhões de medidas de refinanciamento de programas especiais do banco de fomento KfW

Para além disso merece destaque um conjunto de medidas anunciadas ao longo dos últimos meses, tais como:

  • Flexibilização do regime de trabalho temporário, com escopo semelhante ao regime de layoff português, (alargando o respetivo período até 31 de Dezembro de 2021) e assunção integral das responsabilidades sociais por parte do Estado. Cobre 70 ou 77% do salário a partir do 4º mês, consoante seja trabalhador sem filhos ou com filhos, e 80 ou 87% a partir do 8º mês, em idênticos moldes.
  • Injeção de liquidez nas empresas por redução de pagamentos por conta, moratória no pagamento de impostos e encargos sociais. Valores ainda em negociação com os Estados Federados e portanto não quantificados.
  • Injeção "sem limites" de liquidez para sustentar empresas que suspenderam atividade por falta de encomendas/falha na cadeia logística. Financiamento bancário respaldado em programas de assistência de liquidez por entidades públicas.
  • Para além das medidas diretas de combate à pandemia e no contexto de esforços de descarbonização, o governo federal aprovou em junho uma “Estratégia Nacional de Hidrogénio” que prevê 38 medidas concretas e investimentos na ordem de 9 mil milhões, dos quais 2 mil milhões para projetos internacionais (fonte: www.bmwi.de).
  • Apoio direto a empresários em nome individual e a pequenas empresas até 10 empregados (pagamentos até 15 mil euros a fundo perdido por empresa).
  • Fomento duma resposta concertada no seio da UE, respaldando as iniciativas da Comissão e BCE.
  • Redução temporária do IVA para a gastronomia (consumo de comida) de 19% para 7% (taxa reduzida) de 1/6/2020 até ao 30/6/2021.
  • Aumento do salário mínimo (com uma atenuação da curva ascendente) € 0,15 em janeiro de 2021 e € 0,10 em julho para respetivamente € 9,50 e € 9,60.
  • Do total das medidas anunciadas e até ao dia 18/8/2020, o Estado alemão aprovou apoios com um valor de Eur 68,2 mil milhões, dos quais 44,2 mil milhões do programa especial do banco estatal de fomento KfW; 14,3 mil milhões de apoios imediatos às empresas; 3,5 mil milhões de garantias; 200 milhões de apoios de transição (“Überbrückungshilfe”) para PMEs (analisando 33.900 pedidos com um valor total solicitado de Eur 645 mil milhões; fonte: Ministério Federal de Economia e Inovação 19/8/2020).

 

PRINCIPAIS CONSTRANGIMENTOS NO MERCADO

  • Desde finais de julho, tem-se verificado, como também em outros países europeus, um aumento significativo de pessoas afetados pelo covid-19, atingindo no final de setembro outra vez os números do abril passado (entre 1500 e 2500 novos afetados/dia). O governo federal, os governos dos Estados Federados, as associações setoriais, as entidades patronais como também os sindicatos desencadeiam esforços para evitar uma nova situação de lockdown que abrange o país inteiro. Tenta-se implementar soluções inteligentes e regionais (por vezes com restrições semelhantes às de março/abril), consoante a situação concreta em cada Estado Federado, região e/ou comarca, aumentou-se significativamente a quantidade de testes.
  • O PIB caiu 12% no Q2, mas volta a crescer no Q3: nas informações publicadas em 1/7/2020, os think-tanks económicos IFO e DIW deram conta que após esta variação em cadeia mais forte do PIB alguma vez registada, “a economia alemã ultrapassou o seu ponto mais baixo e já volta a crescer”. De acordo com o IFO, o PIB aumentará 6,9% e 3,9% em cadeia no Q3 e Q4. Todos os fortes estímulos ao consumo e às empresas têm contribuído para um reequilíbrio imediato do mercado, subsistindo a dúvida sobre a sustentabilidade destas recuperações, mas muito dependente do sucesso pretendido das medidas económicas e sociais do combate à pandemia.
  • Todos os setores da indústria transformadora foram fortemente afetados, com exceção da fileira da saúde e nos serviços as tecnologias de informação. Muito em especial, empresas fornecedoras do ramo automóvel (tier 2 e tier 3) enfrentam uma crise grave de liquidez, somando os efeitos da pandemia às consequências graves da reestruturação do setor em geral.
  • Inúmeros inquéritos de conjuntura às empresas vão convergindo para estimativas de quebras nas receitas entre 30 a 50%. A cadeia logística de fornecimentos veio a superar o embate, denotando mais fragilidade nos fornecimentos intracomunitários do que nos fornecimentos com origem na Ásia. A apreensão sobre a retoma transferiu-se para as carteiras de encomendas, com sucessivas revisões em baixa para bens de equipamento e bens de consumo não-essenciais. Não obstante, receia-se uma onda de insolvências a partir de outubro, dado que se suspendeu até ao dia 30/9/2020 a obrigação de declaração de falências, caso as mesmas seja provocadas no contexto de consequências da pandemia. Discute-se, atualmente, o eventual prolongamento da suspensão da obrigação de declaração de falências.
  • O Instituto IFO, no dia 24/9/2020, publicou resultados de inquéritos junto de líderes de empresas quanto ao índex do clima de negócios no país (“Geschäftsklimaindex”), que com 93,4 pontos ultrapassou o índex de agosto passado (92,5). As empresas esperam a continuação da recuperação, nomeadamente nos setores industriais, do comércio e da construção civil, enquanto nos serviços o índex ligeiramente baixou.
  • Previsões económicas para a Alemanha serão das mais benévolas num contexto europeu adverso para 2020, mas o intervalo de incerteza é invulgarmente amplo, entre -6% e -12%. Para 2021, na agora já menos provável ausência duma segunda vaga epidémica que obrigue a um novo período de confinamento, a recuperação económica deverá ser das mais aceleradas de entre os países da OCDE.
  • Receitas fiscais do Estado Federal diminuirão € 44 mil milhões em 2020 (fonte: Ministério Federal das Finanças)
  • Empresas de serviço com cerca de 80% dos trabalhadores ainda em teletrabalho. Admite-se que as empresas, face aos dados crescentes de afetados, continuarão neste moldes.
  • Turismo e restauração com reabertura, conforme regulamentos diferentes nos 16 Estados Federados. Mensagem implícita incentiva o turismo nacional. A partir de 15 de junho confirmou-se um aumento substancial de ligações aéreas, mas ainda longe dos níveis pré-covid. No dia 30/9/2020, o Estado alemão levantou as restrições globais para viagens fora da UE, substituindo as mesmas por orientações referentes a cada um dos países e/ou referentes a regiões concretas. Por regra, regiões/países com mais de 50 afetadas por 100 mil habitantes são automaticamente declaradas zonas de risco elevado.
  • Diminuição do desemprego e de empregados em regime de horários reduzidos em comparação com o mês de agosto num contexto conjuntural “normal”: em setembro de 2020, o desemprego atingiu menos 108 mil pessoas face a agosto de 2020 (taxa de desemprego de 6,2 %, atingindo um total de 2,85 milhões de pessoas), a que há que somar em setembro85 mil empregados em regime de horários reduzidos (em maio ainda 6,7 milhões em regime semelhante a layoff parcial). Em setembro de 2019, foram registados 2,23 milhões desempregados. Fonte: Agência Federal de Emprego 30/9/2020.
  • O Estado decidiu entrar no capital de empresas que representem risco sistémico: Lufthansa (negociação finalizada sobre um pacote de intervenção estatal direta com um valor total de € 9 mil milhões; já tendo o OK do CA da Lufthansa e dos acionistas; Condor (com crédito de €550 milhões), TUI, Adidas. Empresas ligadas ao transporte e turismo as primeiras a perfilarem-se, mas também empresas de outros setores abrangidos. Estado sonda injetar até € 10 mil milhões na Deutsche Bahn. Entretanto, para garantir que industrias criticas se mantêm numa esfera europeia, o Estado alemão decidiu adquirir 23% do capital da biotecnológica Ecovacs.
  • Até ao dia 10/8, cerca de 60 empresas alemãs manifestaram interesse em apoios diretos do Estado Federal, das quais 14 empresas em participações diretas do Estado (medidas de recapitalização). Conforme informações do diário económico “Handelsblatt”, o Ministério Federal de Economia e Inovação e o Ministério Federal das Finanças acordaram critérios de validação destas candidaturas. Até agora não foi publicada nehuma lista das empresas em causa (fonte: Handelsblatt, 10/8/2020)

 

NOVAS OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO DECORRENTES DO PÓS-COVID E CONSELHOS ÚTEIS ÀS EMPRESAS

Com contração acentuada da atividade económica e aumento de prémio de risco em setores e economias mais castigadas, as oportunidades decorrem de:

  • Entender que o mercado germânico será cada vez mais o maior e mais estável mercado de oportunidade no seio da União Europeia e que no pós-Brexit a importância cultural da Alemanha sobressai no mundo dos negócios
  • Encurtar distância de acesso ao mercado, nomeadamente através de presença logística e comercial direta
  • Exposição a sectores mais resilientes ao embate inicial e com procura sustentada, como seja o sector dos consumíveis e equipamentos hospitalares, indústria química e farmacêutica, energias renováveis e mobilidade
  • Aposta na propriedade intelectual e/ou pelo menos na certificação de produto
  • Transformação digital acelerada, capaz de catapultar as empresas para a dianteira da abordagem a mercados distantes e exigentes
  • Valorização das cadeias de valor nacional, capazes de consolidarem módulos que agreguem valor localmente, por oposição à exportação de produtos isoladamente de valor menor
  • Aquisições oportunistas de empresas com forte presença no mercado alvo

 

SITES RELEVANTES A CONSULTAR

Handelsblatt

Ministério da Economia

Ministério das Finanças

BuBa

DIHK

BDI

Einzelhandelsverband

Sachverständigenrat

IWKöln

DIWBerlin

IFO

ZEW

Arbeitsagentur

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